1983. SANPAKINHO. Um texto que não agradou.
Em 1983, muitas mudanças ocorreram na minha vida.
Escrevi uma carta para a FEUC (Fundação Educacional Unificada Campo-Grandense), oferecendo meus serviços administrativos, com o conhecimento que obtive no Colégio Campo Grande. Fui admitido e logo passei também a lecionar no CAEL (Colégio de Aplicação Emmanuel Leontsinis) e, mais tarde, na FFCG (Faculdade de Filosofia de Campo Grande), ambos mantidos pela FEUC. Foi uma época de ganhar dinheiro, pois era muito bem remunerado.
Eu também lecionava na Escola Santa Clara, na Estrada do Magarça, numa época em que Campo Grande ainda trazia os resquícios da Zona Rural, com muitos sítios e fazendas, com muita Natureza. Os alunos da Escola Santa Clara eram extremamente aplicados, e passavam em provas para os colégios público de 2º Grau. Também eram muito carinhosos e seu sempre voltava para casa com bolsas de produtos colhidos em chácaras, pois os pais gostavam do meu trabalho e me presenteavam com ovos, mangas, goiabas, jacas, bananas, milhos, entre outros. Era uma época muito feliz e repleta de prosperidade.
Eu também me mantinha nas Artes, cantando ao lado do grupo TIC TAC TOE, com Marcos Lira, Adriana Chaves e Sandra Souto.
Sandrinha esteve ao meu lado em alguns trabalhos teatrais também, e um dos espetáculos que adoramos fazer, que não obteve uma compreensão do público foi SANPAKINHO, de Aurimar Fontana.
O texto realmente era confuso para a época, pois trazia uma pegada de espiritualismo cósmico, onde víamos algum viés da Cultura Racional, tão em voga naquela época, com outras vertentes misturadas.
Para mim, era um prazer contracenar com Sandra Souto, pois havia química, e nós criávamos algumas marcações que não nos foram dirigidas, o que trazia algum desconforto ao diretor, que por mais que eu tente, não me recordo do nome. Acho que foi tão sofrida a direção, pois o rapaz berrava sem motivos, xingava, achando que direção boa é trazer tensão ao ator. Nem sempre. Eu e Sandra percebíamos que funcionávamos melhor com carinho e risos, do que xingamentos e palavras ásperas. Enfim, cada diretor é de um jeito e está tudo bem.
Naquela época, uma das coisas que quase não vejo hoje era a divulgação do elenco. Além do cartaz principal, a divulgação acontecia com pequenos panfletos, indicando um elemento do espetáculo. Assim, todos tinham suas divulgações, o que gerava plateia de cada ator, além da plateia geral.
O chato foi ver a tristeza de Aurimar Fontana, um senhor que se dedicava às Artes na Baixada Fluminense, principalmente, em escolas. Ele não entendia a razão por que o texto fracassara em plateia e apontamentos de 'críticos literários'.
Houve um dia em que a plateia estava tão confusa, que percebemos pessoas se retirando com meia hora de espetáculo.
Depois desse espetáculo, os convites cessaram por um bom tempo.
Permaneci ao lado de Sandra, e gravamos compactos solos, mas fazíamos o backing vocal um no trabalho do outro.
Nessa época, iniciávamos a composição do quarteto musical TIC TAC TOE, que mais tarde conseguiu lançar dois compactos em vinil. Uma informação que poucos sabem, o Tic Tac Toe fez todo o backing vocals do meu primeiro álbum solo I WOKE UP IN LOVE THIS MORNING, em 1988, mas não recebeu os créditos, infelizmente.
O Long Play prometido ao grupo nunca se realizou, mais uma vez, infelizmente.
Entretanto, sou agradecido por tudo o que vivemos juntos. Saudade.





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