2013. A Retomada do Nome em Campo Grande, a Passagem de Paulão Magalhães e a volta ao Clube Israelita.

 2013 foi um ano feliz!

Eu desejava muito retornar ao espaço cultural campo-grandense, mas apenas a escritora Nancília Pereira me enxergava. Acredito que, graças a ela, as pessoas passaram a me (re)conhecer, e os que haviam se esquecido do meu pretérito artístico em Campo Grande, começaram a se lembrar.

Não sei, ou não me recordo, qual foi o estopim, mas a magnífica atriz Gui Soarrê me convidou para dirigir um esquete em que ela atuaria com Cimara Mattos, no XXV FesTeatro, na Sala Ruth de Souza.

O FesTeatro teve início no Teatro Mário Lago, na Vila Kennedy, numa época em que aquela região era muito violenta. E, por conta desses acasos, o FesTeatro passou a acontecer no teatro de uma escola pública, com o aval da diretora, Adriana Cândido, que sempre divulgou a Arte na Zona Oeste. Aliada ao saudoso Fernando Tenório, realizaram 21 eventos, que contava com jurados das várias camadas da TV, do Teatro, do Cinema e da Literatura.

Eu nunca havia dirigido um espetáculo, embora tivesse exercido a função de assistente. 

Mas como eu nunca digo NÃO ao Universo, aceitei.

Ao vê-las nos ensaios, eu não precisava dirigi-las, pois estavam prontas. Apenas a gesticulação das mãos precisava melhorar.

Gui Soarrê é exigente consigo mesma, e reclamou que não estava se sentindo dirigida.

Ela mesma convidou Maurício Osborne para assistir ao espetáculo, e ele disse o mesmo: as mãos.

Não satisfeita, convidou Anderson Nascibecker. E o que não foi surpresa, o problema eram as mãos.

Problema resolvido, fomos para o FesTeatro, organizado pelo grandioso Fernando Tenório e Adriana Cândido.

O texto O PROPRIETÁRIO é de Roberto Espina, dramaturgo argentino, que concedeu o direito de levarmos o texto para os palcos. Foi assim que nasceu a Cia do Absurdo. E quem traduziu o texto foi Larissa Rezende, artista da Dança do Ventre e filha da Gui Soarrê.

O prêmio foi concedido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Will Tom, Gui Soarrê e Cimara Mattos, 2013.

O espetáculo venceu em duas categorias: Melhor Atriz para Gui Soarrê e Melhor Texto. Cimara Mattos já havia vencido o FesTeatro no ano anterior, como melhor atriz.



Não me recordo quem sugeriu a inserção de outra personagem ao espetáculo, mas as duas atrizes solicitaram que eu fizesse a Personagem C, já que não possuíam nomes.

Assim, lá estava eu, contracenando com grandes atrizes de Campo Grande. 

E o espetáculo teve apresentação no palco da FEUC, no ano seguinte.

Will Tom em O PROPRIETÁRIO, de Roberto Espina. 2013.

Também em 2013, Dilleygor Lagares me convidou para participar de seu filme ACASO, ao lado de um elenco que eu conhecia e todos éramos amigos de encontros no Centro Cultural Memórias do Rio.

Foi uma delícia fazer o filme, ao lado de tantos amigos queridos, 
como Silvinha Euclídes Cattermole, Máxcimo Bóssimo, Dilleygor
 e, principalmente, o saudoso Gualdino Calixto.

As minha cenas com Gualdino Calixto são fantásticas, elogiadas por grandes nomes da indústria fílmica. Realmente, havia uma química entre nós, na história tão bela de dois homens idosos.


O filme foi todo rodado no Leme, com exceção de algumas cenas, em Jacarepaguá. 

No elenco: Dilleygor Lagares, João Guerreiro, Pedro Paulley, Paulo Telles, Vanessa Fontana, Márcia Zottis, Silvinha Euclídes, Máxcimo Bóssimo, Gualdino e eu.

No SomPaulo Studio, estávamos finalizando o álbum SECRET MAN.

Enquanto o álbum não era concluído, Paulão decidiu realizar mais uma coletânea, desta feita, para o mercado de vendas, com um excelente material do que havia feito sucesso nos álbuns anteriores. Assim surgiu FAREWELL TO THE THIRD GOLDEN ERA.



LADY FRANCISCO DIVULGANDO O ÁLBUM 
FAREWELL TO THE THIRD GOLDEN ERA.


Foi quando algo inusitado aconteceu. 

Num dia de gravação, Paulão Magalhães deixou esse mundo, nos meus braços, ao lado de seu irmão Luiz Magalhães, sua sobrinha e outro amigo.

Foi no dia de São João, dia 24 de junho. 

Naquela agonia toda, com SAMU, Polícia, parentes, um balão subia aos céus, como se seu espírito nos deixasse aos pouquinhos. Foi um dia muito triste para mim.

Interessante que na terça-feira, havíamos gravado a música DON'T EVER LEAVE ME. 

Como Paulão era exigente, disse que deveríamos terminar o trabalho na quinta, pois precisava de alguns ajustes.

No dia seguinte, na quarta-feira, dia 24 de junho, Paulão me ligou, pedindo para que eu fosse terminar a música. 

Eu estava cansado e disse que não iria. Ele insistiu e eu continuei negando, até que ele falou: - Will eu preciso te ver.

Naquele momento eu pressenti a passagem do meu amigo. Fui voando para o studio, rezando, implorando aos céus para que eu soubesse o que fazer naquela hora estranha.

Pedi para ele ligar para o irmão, que veio com a sobrinha e um amigo.

No terraço do studio, Paulo se desligou. Permaneci em prece o tempo inteiro.

Luiz fez massagem torácica, enquanto eu fazia a respiração boca-a-boca. Foi quando vi sua pupila dilatar. Havíamos perdido o Paulo.

Quando sua irmã mais velha chegou, naquela aflição de todos, e muito choro, eu me mantinha anestesiado. A senhora, sem me conhecer, apertou a minha mão, me deu um abraço e disse: - Obrigada por auxiliar meu irmão na passagem.

Paulão até hoje está em minhas melhores lembranças e eu sempre disse que ele foi o meu guru musical.

Outro convite generoso partiu do saudoso Gualdino Calixto, para que eu fizesse um preâmbulo em seu livro BRANCAS LEMBRANÇAS DA MINHA ALDEIA.


O livro foi lançado no Clube Israelita, onde pude rever muitos amigos e parentes distantes, que não via há muito tempo. Foi um dia muito feliz.

Dos amigos de Gualdino Calixto, e meus também, estavam presentes os atores Leda Lucia, Luca Machado, Vera Monteiro, Hugo Gross, Gilberto Marmorosch, Lino Corrêa, Fernando Reski, Alfredo Garcês, entre outros.

O Jornalista Luiz Carlos Lourenço, entre outros. Os escritores Manoel Virgílio, Thelma Moreira, entre outros.

O escritor Manoel Virgílio, Will Tom e a atriz Leda Lucia.
Gualdino Calixto e Will Tom

Os fotógrafos Núbia Perdigão, Daniel Marques. Os cantores Eliana Pittman, Márcio Gomes, Selma Rios, entre outros. A empresária Dayse Figueiredo (Lulu Bijoux).

Gualdino Calixto e Marcio Gomes.
ELIANA PITTMAN e GUALDINO CALIXTO.


O jornalista Luiz Carlos Lourenço, as atrizes Leda Lucia e Anna D'Castro, 
Gualdino Calixto, a escritora Thelma Moreia e Will Tom.








Uma pancada de 2013 foi a passagem do amigo Claudio Cavalcanti.
Por duas vezes desejou encontrar comigo, pois não nos víamos há muito tempo, mas acabei não indo, o que me arrependo muito, pois o meu poeta se foi.
Comecei a admirar o trabalho de Claudio Cavalcanti em 1969, quando ele fazia a personagem Renato Madeira, um gago, irmão da protagonista Andréa, vivida por Regina Duarte, na novela Véu de Noiva, de Janete Clair.
Lembro-me, como se fosse hoje, que o tema musical do atormentado e filósofo Renato Madeira era Everybody's Talkin', cantada lindamente por Harry Nilsson.
No ano seguinte, Claudio Cavalcanti conquistou o Brasil com o impulsivo Jerônimo Coragem, na novela Irmãos Coragem, também de Janete Clair.
Dali em diante, acompanhei suas composições musicais, com Martinho da Vila, suas obras literárias e sua tentativa na música, lançando um LP e alguns compactos.
Quis a vida que, mais tarde, eu me tornasse amigo dos meus ídolos, como Claudio, Lúcia Alves, Carlo Mossy, Rossana Ghessa, Theresa Amayo, Lady Francisco, Elaine Cristina, Fabio Tomasini, entre tantos outros.
Com alguns, tive o prazer de trabalhar. Com outros, não deu tempo. Infelizmente. 
Usei, por muito tempo, o livro Coelhos de Serragem, com as crônicas do Claudio Cavalcanti, em colégios da rede particular e também da rede pública.
Um dia, espero abraçá-lo. O amor não morre e, neste Universo reflexivo, com certeza, chega todos os dias a ele. 
















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