2017. AROUND THE WORLD.
Uma das coisas que eu sabia que jamais deveria dizer, acabei por cometer esse erro.
Dizer NÃO à Vida pode ser de um arrependimento inexplicável.
Em 2017, eu me dedicava às aulas matinais no Colégio Estadual Professor Fernando Antônio Raja Gabaglia e às aulas noturnas no Colégio Estadual Charles Dickens.
Sentia a falta de algo, sem saber que era falta daquela agitação artística.
Com o peso da idade, eu me sentia cansado demais, e quando recebi o convite para um grande trabalho cinematográfico, logo no início do ano, eu rejeitei.
E os meses passaram sem qualquer convite mais, de forma que, ao final do ano, eu já estava desesperado, com saudade de atuar, e com medo do poder das minhas palavras.
Dizer NÃO ao Universo pode ser perigoso, e eu sabia disso, pois enfrentava o meu SIM, muitas vezes com muita dor, pois não havia outra escolha diante da situação que a Vida me dera, quando meus pais se separaram. Apesar de criança, com oito anos fui trabalhar para diminuir as dificuldades financeiras e, de certa forma, sempre foi através de muito trabalho que sobrevivi, mesmo quando as pessoas pensavam que estava tudo bem. Cada pessoa sabe o que enfrenta de forma calada.
Quando chegou junho, Marcelo Gusman, com quem eu já havia trabalhado em O EMPRESÁRIO DA GRAXA e no filme GUIRLANDA, me convidou para participar do SARAU IMAGINATORES.
Foi um momento muito lindo, com a presença de vários amigos e chamei Teresa Carvalho para fazermos algumas apresentações musicais.
Era um espaço pequeno, mas aconchegante, com o talento de vários amigos sendo dividido.
Com esse gás, assim que Ed Ghard me solicitou outro álbum para gravar no Eden Studio, rapidamente aceitei.
O álbum recebeu o nome AROUND THE WORLD, celebrando vários países.
Nele, algumas gravações que não aparecem em outros cds fizeram a diferença, principalmente as faixas Gira o Pião, em homenagem ao Brasil.
Para os ouvidos mais afiados, percebemos a voz de Ed Ghard no coro.
Gira o Pião um poema chamado Pião, que musiquei. Mais tarde, em 2020, lancei o meu primeiro livro de poemas, que foi um sucesso de vendas: POEMAS PARA CRIANÇAS DE TODAS AS IDADES, Ed. Ascensão, e fiz questão de ter esse poema como parte integrante do livro.
A faixa Et Dodim Kala, cantado em hebraico, também foi um sucesso, pois é um som diferente e ninguém conhecia essa gravação, em homenagem a Israel.
Irerê Cantou, além de ser homenagem ao Brasil, quis também traduzir um carinho especial para o amado amigo Zeca do Trombone, que sempre berrava, quando que chegava aos encontros com os amigos: - Chegou o meu Irerê!
Jay Siya Ram foi outra surpresa, pois é um mantra conhecido na belíssima voz de Jai Uttal. Em homenagem à Índia, a escolha foi acertada. Grande parte do público brasileiro desconhece a música indiana.
Interessante que Sukiyaki, em homenagem ao Japão, estava no álbum WISE, de 2012.
Mas também fez um chamado aos conhecedores de música, que apreciaram bastante.
Essa gravação chegou a tocar numa cidade a 100 km de Tóquio e os japoneses apreciaram bastante, e compreenderam os erros fonéticos em silabação e pronúncia, mas disseram que era comum, principalmente, para alguém que não domina o idioma, apenas repete o que compreende como sons.
Também as gravações de Taboo (Tabu) surpreenderam. Mantive o arranjo de Richard Wess, que está presente no álbum Songs to a Swinging Band, de Connie Francis.
Joguei a voz para a garganta, na versão em Inglês, e para a versão em Espanhol, mantive uma certa serenidade, como num culto cubano.
Também naquele morno 2017, fui convidado para palestrar na FEUC, um lugar em que trabalhei por 7 anos, de 1983 a 1989.
A FEUC era a minha casa e eu recebia muito bem.
Por fofocas, maledicências invejosas, eu estava a serviço da FEUC, em Campinas, no Hotel Othon, quando recebi o telefonema da instituição, dizendo que eu estava demitido.
Terminei o serviço que fora fazer na UNICAMP e retornei transtornado, acabado na alma.
Naquele dia, com medo de bater com o carro, tomei um táxi e fui para Pedra de Guaratiba, onde sempre me refugiei em momentos difíceis. Precisa ver aquele mar.
No caminho, olhei o céu azul profundo, com nuvens brancas, muitas. Fazia muito tempo que eu não olhava o céu, que eu não fazia parte... Ali compreendi que precisava modificar minha postura diante da vida e não criar raízes com coisas inconsistentes.
Aquela dispensa me abriu portas para aumentar minha carga horária no Colégio Afonso Celso, onde trabalhei por 30 anos e fui feliz demais. Costumo dizer que foi a época de ouro da minha vida. Saudade e gratidão é o que sinto, principalmente à diretora Maria de Lourdes Bastos Monteiro e à sua mãe, proprietária da instituição, D. Guiomar Barros Bastos.
Também, em 2017, um ex-aluno lançou um livro, onde consta um depoimento meu, a seu pedido.
Fabio Viccent fora meu aluno do curso noturno, no Colégio Estadual Charles Dickens, e mal se sabia que aquele menino, num futuro próximo, seria o proprietário de uma grande editora - Editora Ascensão.

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