FINALIZANDO A DÉCADA DE 80.
Eu havia gravado um LP maravilhoso, com sucesso em todas as apresentações.
Eu também fui convidado para um trabalho teatral ao lado da magnífica Lúcia Alves, amiga querida. Era uma comédia de Montávio Siqueira, mas o trabalho não foi concluído, infelizmente.
Muitas vezes isso ocorre. Iniciamos um trabalho e, por motivos alheios aos nossos desejos, tudo termina, deixando um vazio na garganta, principalmente, quando dependemos de terceiros.
Lúcia Alves teve uma carreira extraordinária na TV, com 46 anos ininterruptos, então, para ela, a vida prosseguia como antes. Para mim, estar ao lado de uma grande atriz renomada era algo honroso e, desde 1969, eu era apaixonado por ela. Só conseguimos estar juntos numa mesma obra, muitos anos depois, no filme SÓ PELO AMOR VALE A VIDA, de Carlo Mossy, em 2015.
A vida nos colégios continuava e eu recebia muitos convites para trabalhar em vários colégios particulares de Campo Grande, de forma que não ficava sem dinheiro.
Também foi na década de 80 que fiz um trabalho lindo para a TV Manchete, uma minissérie intitulada Jangada dos Pescadores, onde eu podia cantar - era um musical baseado na composição homônima de Doryval Caymmi.
As críticas eram sempre favoráveis em tudo, até que chegou o fatídico ano de 1989.
Naquele mesmo ano, fui despedido da FEUC. Eu estava a serviço para a Fundação, no Othom Hotel de Campinas, quando recebi a notícia. Mesmo assim, terminei o trabalho, ao lado das professoras Lúcia e Vitória Morgado. E, para finalizar todo aquele momento difícil, o senhorio do apartamento onde eu residia, na Rua Alfredo de Morais, centro de Campo Grande, solicitou o imóvel, de forma que precisei me deslocar para a Tijuca, mesmo trabalhando em Campo Grande, no Colégio Afonso Celso, em apenas uma única manhã. Naquela época eu não havia feito concurso público, de forma que a minha única fonte de renda seria uma manhã no Colégio Afonso Celso.
Ao saber do ocorrido, a professora D. Maria de Lourdes Bastos Monteiro, diretora do colégio, me chamou e me ofereceu várias turmas, criando disciplinas de enriquecimento de currículo. A ela eu devo tanto, pois, além dessa ação, várias vezes me atendeu em momentos difíceis. Foi então que resolvi me dedicar única e exclusivamente ao magistério, deixando a música e me apresentando raramente em teatros, através de peças ou de participações musicais.
Talvez, o que tenha valido muito a pena, foi o reconhecimento que obtive de ídolos internacionais, como Ian Gillan, John Gustafson, John Phillips e Scott McKenzie, que dizia: "Will Tom tem anjos no coração, quando canta".


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